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A Orientação Educacional faz pulsar o Coração da Escola

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Uma estória (dessas que nos fazem refletir) conta que dois amigos desejavam viver intensamente a estrada de suas vidas ...  Combinaram se reencontrar num ponto da estrada. Chegar significaria ter  encontrado  o Ideal. A estrada era longa e cada um seguiu com seu passo. O tempo passou e um dia o primeiro caminhante , cumprindo sua caminhada ,  chegou ao Ideal e aguardou seu amigo. De quando em quando olhava para estrada desejando vê-lo  ao longe. Já considerava que algum atalho  afastara seu amigo do caminho. Eis que, numa tarde o avistou. Seu passo era firme apesar da idade, seu sorriso moldava sua face   apesar  do cansaço  e  vestia-se de  emoção.

-    Porque demoraste tanto ? perguntou-lhe o amigo.

-   Há muito chegaste?!(admirou-se) Caminhei em minha estrada e vivi intensamente cada passo em direção a este Ideal. Viste por ventura aquele botão de rosa  que desabrochava , parei um pouco para esperar a flor que dele brotou ; juntei-me aos transeuntes para retirar da estrada um tronco que impedia a passagem de tantos; aguardei o  momento de uma mulher dar a luz , e descobri a beleza do mistério da vida ; reuni forças para compreender uma cultura diferente da nossa e manifestei meu respeito: tive saudades , voltei um pouco para abraçar; construí laços de amizades e demorou um pouco até que decidisse deixá-los; fiz....

Cada estória que ouvia o homem lembrava um pouco do que virá na estrada e deixara para traz . Percebeu que teve pressa e não viveu a caminhada...chegara  mas sua vida empurrada, se resumira em alcançar o Ideal.

Esta história me remete ao Orientador Educacional na Escola. Como profissional das relações interpessoais , da ajuda na tomada de decisões, sua presença  parece ser farol, seta, fonte  de água fresca, porto, ouvido e coração .

Vemos jovens perdidos em seus sonhos , em seus desejos de vida. Vemos dicotomias entre os valores apregoados e os vividos . A estrada se oferece à caminhada , indiferente do ser que a percorre. Os atalhos despontam atrativos sem a parada obrigatória para pensá-los ou sobre a decisão de escolhê-lo. Mais triste que admitir que não pensamos nossas escolhas é admitirmos a falta de consciência para onde os caminhos nos levam.

A sociedade que buscamos construir é mais humana , mais feliz e mais livre. Acredito e vejo esta sociedade...ouço seus apelos  em construção. Sei que ninguém agüenta mais o medo , a desconfiança, o individualismo , a distancia entre os seres.  O que precisamos construir  são mudanças sociais significativas...e sem as mudanças nas relações pessoais, no olhar em redor , na escuta , no diálogo...sem estas mudanças   , não haverá  a mudança  social significativa.

Nossos jovens precisam de espaços de reflexão e ação  sobre as relações necessárias, que não brotam das intenções , mas de ações concretas. Nossas escolas refletem a  compreensão dos  saberes , na construção dos valores humanos  necessários.  È nesta visão que surge a importância da presença e do papel da Orientação Educacional : questionando posturas engessadas, construindo propostas de convivências e dando espaço para o pensamento dos jovens. Não se trata de ouvi-los apenas ou deixa-los falar , tão pouco diz respeito a dialógica construção do passo a ser dado. Trata-se de espaço de reflexão, mas também de tomada de decisão consciente; trata-se de organizar projetos pedagógicos , mas apontar valores de convivência; trata-se de buscar ideais e descobrir competências , mas também da buscar o auto conhecimento e auto construção, que confirmem a escolha dos ideais. As verdades dos  discursos da Escola se perdem sem a coerência das nossas ações pedagógicas. A Ação da Orientação Educacional precisa fazer pulsar o coração da Escola confirmando a presença do humano na construção das relações e valores sociais.

Angela Paiva