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Filosofia para aprender a pensar

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Ciência não é vista, hoje, como atividade para gente grande, mas como matéria de ensino da educação básica. Carlos Oliveira (para www.jornaldacomunidade.com.br)

Filosofia não é só para gente grande e nem ciência antiquada. É sempre atual e, em algumas escolas, ela é ensinada desde as primeiras séries da educação básica. É o que garantem os criadores de uma nova metodologia desenvolvida para o ensino da “mãe de todas as ciências”: o Programa Filosófico-pedagógico Educar para o Pensar: Filosofia com crianças, adolescentes e jovens, que foi criado em 1989, pelo doutor em Filosofia da Educação, professor Silvio Wonsovicz. O programa é controlado por um Centro de Filosofia, que fica em Florianópolis, Santa Catarina. Assim, desde pequenos, os alunos são educados para refletir, de forma divertida e instigante, sobre fatos elementares e complexos da vida em sociedade. Para ficar bem próximo das inúmeras escolas que adotam o programa em todo o Brasil, são feitas parcerias com educadores, que organizam, nas suas respectivas cidades, um Núcleo de Filosofia Educação para o Pensar (Nufep). Em Brasília já existe um núcleo há cinco anos e quase 50 escolas da capital federal utilizam o programa. “São desenvolvidas dinâmicas específicas para cada série e, dessa forma, todos falam e são ouvidos. O pensamento de cada um é valorizado, de maneira que crianças de 3 anos até os alunos do Ensino Médio são educados para pensar”, conta a professora Lia Bazzo, coordenadora do Nufep do Distrito Federal. A nova maneira de aprender Filosofia tem ampliado a capacidade de reflexão de milhares de alunos por todo País. Os estudantes têm aprendido a questionar mais e a discutir os porquês, mesmo que cada um tenha uma resposta diferente, relata a professora. “Alguns pais já chegaram a me dizer que não agüentam a quantidade de perguntas formuladas pelos seus filhos, desde quando começaram a estudar para pensar”, relata. De acordo com a professora, o programa Educar para o Pensar é conduzido com base em um fio condutor. “Por exemplo, uma determinada turma tem questões de ética como base para as discussões. A partir desse tema, vários acontecimentos do dia-a-dia são analisados” explica. Então, a partir dessa nova proposta, estudar Sócrates, Platão, Santo Agostinho e os demais clássicos da Filosofia já não é tão chato, como era há alguns anos, destaca Lia Bazzo. Para manter um alto nível de educação, ressalta a coordenadora do Nufep-DF, as escolas precisam aplicar o programa da Educação Infantil (0 a 6 anos) até a última série da educação básica (da primeira série do Ensino Fundamental ao último ano do Ensino Médio). “Se não tiverem uma seqüência, o esforço inicial pode se perder”, adverte. Pequenos seres pensantes É uma graça só observar os alunos da quarta série do Ensino Fundamental do Colégio JK da Asa Norte. Meninos como Henrique Oliveira, de 10 anos, retrata a jovem intelectualidade de um garoto que estuda com o objetivo de pensar. “Na aula de Filosofia, nós estamos discutindo a história do livro Os 422 soldadinhos do senhor general, de Rudi Böhm (Editora Sophos). Aí, com base na narrativa dele, nós conversamos sobre violência, paz e respeito entre as pessoas. Cada um tem uma idéia, que completa uma opinião geral”, filosofa o pequeno pensador. Além do Henrique, os outros alunos da mesma turma fazem, ao ar livre, no pátio da escola, um inteligente debate sobre o referido livro. Beatriz Pereira Alves, também de 10 anos, revela a sua alegria em participar da aula. “É muito legal estar aqui no pátio, debatendo temas tão importantes para a nossa vida. A gente observa os acontecimentos da historinha e relacionamos com a nossa sociedade”, comenta. Outra pequena-grande menina é a Júlia Prado Garcia que, com os mesmos 10 anos dos companheiros de debate, comemora a realização de mais uma aula de Filosofia. “Eu gosto muito porque a gente aprende um monte de coisas legais”, diz. A professora dos meninos e meninas da quarta série do JK, Michelle Rodrigues Alves, enfatiza a capacidade de refletir e opinar que os alunos adquirem a partir das aulas. “Eles elaboram inúmeras questões sobre o mundo, a política e outras coias do cotidiano. Adoram dizer: como? Por quê? Pra quê? E assim por diante”, conta. No Colégio Marista Paulo II, Asa Norte, a galera da sétima série está no máximo da produção e surpreende pelo apurado gosto pela política. A preferência pelos temas políticos é quase unanimidade na classe. O filósofo e professor de Filosofia do colégio, Tadeu Cruz, diz que a tendência pelas questões políticas é fruto dos vários assuntos que instigam os alunos a refletirem. “Isso é muito bom, pois desse modo os jovens também terão condições de entender a grave crise por que o Brasil vem passando”,