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O milho e a pipoca: uma metáfora sobre o poder da educação

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“A educação, especificidade humana, como um ato de intervenção no mundo” (FREIE, 1996)


Todo ser vivo nasce com uma intenção de ser. Se deixado entregue aos desígnios de sua própria natureza trará a tona toda sua essência boa e má e, prevalecerá aquela que no momento da criação manifestou-se primeiro, mais forte, com poder de intervir.

Assim é o milho. Traz dentro de si toda a intenção da semente: crescer, frutificar e gerar outros seres tais quais sua matriz.

O milho ao longo de sua jornada seguirá o destino que seu cultivador lhe der: semente ou alimento. Deixado ao sabor de sua mãe natureza, com certeza portar-se-á como futura matriz, gerando ou não frutos a partir do tipo de solo que cair. Mas, sob a ação intervencionista do homem ele poderá dar origem a uma nova espécie hibridizada, transformar-se nos mais diferentes alimentos, inclusive numa pipoca. E é justamente sobre essa transformação do milho em pipoca que pode-se construir mais uma metáfora sobre o poder da educação.

Assim com o óleo, a panela e o calor do fogo foram capazes de alterar a intenção do milho, a educação também é capaz de modificar a essência animalesca do homem primitivo.

O que é a pipoca se não o resultado da interferência de fatores externos, intencionais, dirigidos  sobre a  natureza da semente?

Metaforicamente falando, podemos comparar  as pessoas como um milho. Vem ao mundo não em espiga, pois seu invólucro é outro, mas trazendo sem si a mesma essência de vida e as propriedades do vir a ser. Cada um dará origem a sua espécie. Só que o reino vegetal e o reino animal com exceção do animal racional chamado homem são mais simples. Seu vir a ser é mais determinado, mais dirigido, mais pronto e sujeito a menos variáveis que o animal racional que vem compor a humanidade. O indivíduo nasce bruto, incompleto e biologicamente tal qual seus ancestrais. A incompletude de ser o impele a busca permanente do que lhe falta. E essa busca precisa ser orientada para ser regida por outro princípio que não seja o do prazer.

O sujeito para ser humano precisa ser edificado permanentemente sobre a sua ruína histórica para que possa ser amanhã, melhor do que hoje. Isso implica em afastar da sua intenção de ser para transformar-se em outro ser, produto das forças edificatórias da civilização. Esta,, nada mais é do que um grande conjunto de pessoas que se sujeitaram as regras imposta para se viver em sociedade. Quanto mais desenvolvida for a sociedade, mais necessário será que o indivíduo adapte-se a ela, para que estabeleça a harmonia entre os seres que a compõem. A educação socializa, informa, transforma  contribui para a evolução do pensamento, do conhecimento do homem sobre o homem e de tudo que o cerca.

Ela tem o poder de transformar o homem e conseqüentemente tudo que a partir dele for construído.Tal qual o milho que ao ser submetido à força de seus agentes transformadores mudou totalmente a sua maneira de estar no mundo  ao virar pipoca.

A educação também tem o poder de alterar a natureza animalesca do homem ao agir sobre sua libido. Por isso pode-se dizer que o “educador é o gestor da libido alheia” e a educação o processo artesanal de ação.

O ser humano para se tornar humano precisa socializar-se, submeter seu psiquismo às regras da civilização rompendo a tirania da intenção primitiva de seu ser.

Como os pais são os primeiros  indivíduos a lidar com a criança, eles também são os responsáveis em afastar a criança da animalidade e fazê-la caminhar na direção da civilidade. O medo de perder o afeto das figuras parentais leva a criança, na fase anômica, a seguir o que é estabelecido para ela. Mas para que isso aconteça é necessário que seus pais saibam lidar com a privação, pois só é possível levar o sujeito a entrar em contato com a inevitável sensação da perda, se ele tiver vivido essa situação. Ninguém dá o que não tem. Essa função educadora é essencial na formação de uma humanidade equilibrada e saudável.

Uma segunda instância também é capaz de contribuir para extrair o brilho que há em cada pedra antes da lapidação: - a escola. É nesse espaço/tempo que os educadores podem trabalhar o individuo, enquanto ser bruto, cheio de arestas, mas com incrível capacidade de mudança, pois ainda está em fase de formação.

É por tudo que foi descrito que não vejo outro caminho na transformação da sociedade, no responsável equilíbrio planetário que não seja através do poder da educação.

Mas pra que isso aconteça necessitamos deixar de lado as metáforas, e sermos mais práticos. Partamos para a ação com pena de não termos tempo suficiente para cumprir os propósitos da educação: construir um mundo melhor a partir da formação de uma humanidade melhor, mais ética, mais responsável, psiquicamente mais saudável.

Referência bibliográfica


FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996

Marise Miranda Gomes - Pedagoga.Orientadora Educacional e Profissional. Psicopedagoga Institucional.  Mestre em Ciências Pedagógicas. Membro da ABOP (Associação Brasileira dos Orientadores Profissionais). Membro da ASFOE (Associação Fluminense dos Orientadores Educacionais) e membro fundador do GEOP (Grupo de Estudos em Orientação Profissional do Rio de Janeiro). Orientadora Educacional e Profissional do Centro de Educação e Cultura - CEC Barra no Rio de Janeiro

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