A Cultura da Paz desenvolvida junto aos jovens

Sex, 21 de Agosto de 2009 21:35 Administrador
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RESUMO

O presente artigo tem com objetivo a discussão sobre a Cultura da Paz desenvolvida junto aos jovens, onde estaremos debatendo os valores, atitudes e conhecimentos mais construtivos nas reflexões que preparem os indivíduos para viverem em um mundo pacífico.

 

Palavras-chaves: Paz, Valores, Educação, Conflitos, Violência.

 

Titulo em inglês: CULTURE OF PEACE AND NON-VIOLENCE A

 

 

ABSTRACT


This article is aimed to discuss on the Culture of Peace developed with the young people, where we discuss the values, attitudes and knowledge in more constructive discussions that prepare individuals to live in a peaceful world.

 

Key-wordds: Peace, Values, Education, Conflict, Violence.

 

 

 

 

CULTURA DA PAZ E ESCOLA

 

“Não existe um caminho para PAZ;

a  PAZ é o caminho”



Gandhi

 

O discurso a respeito da paz é uma ideia discutida pelos filósofos desde a antigüidade e que hoje é atual. Vejamos um breve histórico das tentativas da sociedade em cultivar a PAZ.

Souza e Biaggio (2000), em pesquisas recentes nos mostram este histórico da paz através dos séculos. A autora cita Guimarães, a partir do momento histórico, onde ele inicia seu discurso da concepção Grega sobre a paz, em que relata “a paz como opulência e fecundidade, representada pela deusa Eirene”. Prosseguindo, Guimarães refere-se que “após o tratado da paz de 371 a.C., que pôs fim aos conflitos entre Atenas e Esparta, a ela foi erguida uma estátua de bronze, esculpida por Cefisodoto, o velho, na praça do mercado de Atenas”.

Símbolos, na antigüidade, da paz, como cornucópia, o ramo de oliveira e espigas de trigo. A paz grega também foi experimentada como relatividade e negatividade da guerra, interrupção, providenciada pelos deuses, do estado bélico normal (p. 62).

Já os romanos acreditavam na paz através da guerra, como nos apresenta Guimarães (p. 64 – 65) “não é à toa que Pax Romana fosse também sinônimo de Paci Augustae, isto é, a paz do imperador”, assim também encontramos um ditado latino Si vis pacem para bellum (se queres a paz, prepara a guerra).

A paz para o judaísmo antigo é o de shalom que, segundo Guimarães,” atinge uma vasta gama de sentidos, passando a ter um conteúdo de prosperidade, bem-estar, felicidade, saúde, segurança, salvação, relações sociais equilibradas, harmonia com Deus, vida em plenitude, metáforas para a realização e completude humanas.”(p.69)

O cristianismo assumi a princípio o simbolismo judaico. E a vinda do Messias é vista como início de um reinado de paz. Eles traduzem a paz estabelecida entre Deus e a humanidade, na história de Noé e o dilúvio, no Antigo Testamento.

Segundo Souza e Biaggio  (2000, p.4), ao final da Idade Média, quando enfraquecem os fundamentos religiosos e místicos, a filosofia busca uma justificativa para a aspiração da humanidade à paz.

A autora nos aponta alguns filósofos que estudaram sobre a paz, tais como: Erasmo de Rotterdam, Comênio, William Penn, Benthan e Kant que escreveu, em 1795, “A Paz Perpétua”.

Salgado, em seu livro sobre a justiça Kantiana, afirma que a “paz perpétua não se funda na compaixão ou na caridade entre os indivíduos, mas numa constante relação de direito, em que não haja a espoliação nem a violência entre os homens, mas um comportamento de ‘pessoas livres e iguais” (p. 323).

Existem movimentos pacíficos mais recentes, como os de Gandhi, Martin Luther King, os protestos contra a guerra do Vietnã e as mães argentinas da Plaza de Mayo. A UNESCO declarou o ano 2000 como o Ano Internacional da Cultura da Paz, trazendo para dentro das escolas associadas à discussão e a promoção de ações conjuntas de combate à violência a nível mundial.

Há estudos que sugerem que pais e educadores devem estar bem informados e preparados para discutir a possibilidade e as consequências de uma guerra, bem como promoverem uma existência mais pacíficas, pois há evidências de que as atitudes de adultos e adolescentes tem mudado pela falta de uma visão do futuro após uma guerra nuclear. (Souza e Biaggio, 2000, p.6)

Sendo assim, Lourenço realizou uma análise acerca da natureza das estratégias das crianças de como obter paz. Três tipos de estratégias foram identificadas: prescritiva ( relativa a atividades ou ações positivas, como “ conversa e brincar com os outros”), proscritiva (relativa a um envolvimento de caráter mais passivo ou omisso, como “não brigar com os outros”) e mista (os dois tipos). Reconhecemos em nossos educando qual a melhor estratégia.

Gunther (1996), em estudos com adolescentes brasileiros, nos apresenta resultados contrários aos estereótipos, mostra-nos a preocupação de adolescentes com a “Paz entre as nações”.

No Brasil. A paz está ligada diretamente com a violência urbana, a partir destas revelações é preciso que através da educação inserir ideias sobre a paz em nossos educandos, no decurso de diálogo. A paz através das relações interpessoais, e atribuindo as responsabilidades da paz para o indivíduo, à família, à sociedade e a líderes mundiais. Assim estaremos desenvolvendo a Cultura da Paz em nossos jovens.

Os estudos apresentados nos indicam para realizarmos um programa de educação para paz, onde aproveitemos a paixão que o jovem demonstra ao dedicar-se a uma causa, a vivência que emerge do trabalho com a formulação de hipóteses e com questionamento das normais sociais e do estatus quo. Embasando-se em Piaget e Kohlberg que tem preocupações com a paz.

Lourenço, um autor cujas ideias são afins às de Piaget e Kohlberg, postula que “há muito a ser ganho se a educação para a paz e o desenvolvimento são vistos em termos de uma injunção moral básica, incorporando a ética da justiça de Kohtberg(respeitar os direitos de outrem, Kohlberg, 1984) e a ética do cuidado de Gillligan, 1982). O autor justifica sua proposta argumentando que não faz sentido pensar num mundo pacífico se as pessoas não se importarem umas com as outras (ética do cuidado) nem respeitarem o próximo (ética da justiça). Assim, Lourenço acredita que programa de educação para a paz serão eficazes se embasados no desenvolvimento moral (Souza e Biaggio).

O papel do educador é fazer com que a criança e o adolescente sensibilizados pela paixão – que o jovem demonstra ao dedicar-se a uma causa – expressando a compreensão sobre a guerra, conflitos e paz. Pode a escola aproveitar toda essa emoção utilizando as figuras pacifistas como Ghandi e Martin Luther King, apresentar ao jovem um programa de educação para paz como meta para a utilização de debates de dilemas morais, cujos conteúdos se referem à agressão e outros comportamentos propostos em sala de aula, - cujo objetivo é a redução de comportamentos violentos em sala de aula.

A Paz é cada vez mais almejada e discutida pelo mundo, pois neste momento vivemos uma guerra, através desta discussão estimula-se a criação de campanhas e programas como a UNESCO criou e dedica-se à coordenação do PEA (Programa de Escolas Associadas), onde as escolas associadas se comprometem com a causa da PAZ.

Lourenço (1999) comenta que o predomínio da guerra, achados em pesquisas, pode ser visualizado na ênfase dada a heróis de guerra, e não a pacificadores. Os construtores da Paz como Gandhi, Irmã Dulce, Chaplin, Dom Hélder Câmara, Gorbachev, Madre Tereza, Paulo Freire, Nelson Mandela, Martin Luther King e Betinho são personagens lutadores pela Paz que conseguiram mudar a sua realidade.

São pessoas extraordinárias? Não, mas determinadas, intensas e com capacidade e coragem de viver profunda e coerentemente os valores verdadeiros numa dimensão política que se identifica com o ideal da PAZ.

O educador trabalhando com a controvérsia, com o espírito críticos e baseados em atitudes amadurecidas dos estudantes, que busca com seriedade a verdade. Que pondera razões confronta motivos, busca o desvelamento da verdade, que tranqüiliza as exigências da razão. Assim terá uma contribuição valiosa acerca da dimensão da paz educacional nas escolas.

Precisa-se pensar em cultura da paz como dinâmico, continuo e permanente, fundamentado nos conceitos da paz e na perspectiva criativa do conflito. Que ajude as pessoas a olharem criticamente a realidade para poderem situar-se diante dela e, consequentemente, agir; assim a paz é um processo e uma ordem social que afeta diariamente a vida cotidiana, tanto no tipo quanto na qualidade de vida.

Cultura da paz fundamenta-se em dois conceitos importantes: primeiro – o desenvolvimento (ligado à justiça) – onde junta os seus procedimentos e esperanças em uma das manifestações mais ternas e genuínas do ser humano: a solidariedade, “a ternura dos povos”, nas palavras de Ernesto Cardenal; segundo – os direitos humanos (ligados à democracia) – enfrentando as ideologias neoliberais que pretendem transformar-se em clientes, através de sua lógica do mercado. Os direitos humanos estão no centro da luta pela dignidade do ser humano e devem ser um guia educativo, tanto de ponto de vista das finalidades educativas quanto a partir da organização da escola.

A escola por conta da violência mundial chegou aos dias atuais com uma sobrecarga, tornando-se responsável em construir uma sociedade mais solidária, justa e democrática.

A guerra que propomos é a que se deve empreender contra tudo o que aliena o ser humano. E não devemos permitir que ela fira a sua dignidade.

Uma possível agenda para educando ter um mundo pacífico, transpassa pelo trabalho do educador em prol da educação para a paz, com: a disciplina, uma escola democrática e uma comunidade de apoio e confiante. Com atitudes em sala de aula, tais como: metodologias adequadas, com abordagem da relação interpessoal e gestão democrática.

Educadores sabem que não podem “assumir uma posição indiferente, a posição de quem tranquilamente se declara neutra”.  (Paulo Freire, 1986)

 



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